É possível se reinventar e encontrar novas oportunidades

É possível se reinventar e encontrar novas oportunidades


Elias Tergilene, de 44 anos, criador da rede de shopping centers Uai, que administra cinco malls no Brasil, é um homem simples. Não possui carros de luxo, não usa grifes e gosta de “comida do povo”.

Antes do sucesso como empreendedor, Elias, que foi criado pela avó na cidade de Carlos Chaves, vendeu esterco, lenha e porcos, até que comprou uma máquina de solda e começou a fazer pequenos reparos. Não demorou para que estivesse produzindo móveis metálicos em uma serralheria no bairro Jardim Leblon, já em BH.

Dessa empreitada surgiu a fábrica de móveis Augusta, em Ribeirão das Neves, que leva o nome da avó dele. A fábrica tornou-se uma das maiores de móveis metálicos do Brasil e teve 51% das ações compradas pelo grupo italiano Doimo. Hoje, exporta para Europa, América Latina e África.

Mas Elias ficou conhecido mesmo por causa de outros empreendimentos: shoppings populares, direcionados às classes C, D e E. O primeiro foi construído depois que adquiriu um terreno perto da rodoviária. “As grandes marcas não queriam ir para o meu shopping com medo de serem associadas ao contrabando e pirataria. Tive que convencer até o banco e o Sebrae de que isso não iria acontecer”.

Com esforço, Elias conseguiu atrair algumas marcas e não demorou para que começasse a ser procurado por empresários que queriam converter shoppings falidos e fechados em empreendimentos populares, semelhantes ao dele, em todo o Brasil.

“Só me ofereciam o que ninguém queria pegar”, lembra. Atualmente, a Rede Uai possui cinco centros comerciais: dois em Belo Horizonte, um em Manaus, um em Toritama (PE) e um em Feira de Santana (BA). O faturamento anual da rede gira em torno de R$ 30 milhões, cifra que deve aumentar com a incorporação da Feira da Madrugada, em São Paulo. Elias foi o vencedor da licitação para administração da feira, que tem 35 anos e atrai cerca de quatro mil vendedores.

Favelas

Além da Feira da Madrugada, Elias foi convidado pela Central Única das Favelas (Cufa), do Rio de Janeiro, para organizar o comércio nas favelas. “Esse momento foi inesquecível. Criamos a holding Favela e hoje as pessoas que moram no morro compram até passagem de avião no carnê”, diz.

Visionário, Elias já chegou a discursar sobre empreendedorismo social na Organização das Nações Unidas (ONU). Criou a Fundação Doimo para administrar os shoppings da Rede Uai e tem um plano ousado: “Quero convencer marcas que são mais falsificadas, como a Nike e a Duracell, por exemplo, a fabricarem produtos mais acessíveis. Isso evitaria a pirataria e o contrabando”. Além disso, está criando a Confederação Nacional do Empreendedorismo Popular.

Só neste ano, já foram investidos R$ 18 milhões em aquisições e melhorias dos negócios. Ao ser perguntado se pode ser considerado o “rei dos camelôs do Brasil”, Elias brinca e deixa a modéstia aparecer. “Nada disso. Sou apenas um trabalhador como todos os outros que estão comigo. Talvez um dia, daqui a uns dez anos, possa levar a sério esse título”.

Com todo o trabalho, Elias ainda acha tempo para família. Ele tem quatro filhos e está no segundo casamento. Mora em São Paulo, onde diz ter dificuldade para se adaptar.

“Estou trocando qualidade de vida por oportunidades”, diz, morrendo de saudades do frango com quiabo e do ar menos poluído de sua terrinha mineira.

Jornal: hojeemdia.com.br
Sergiovanne Amaral
sergiovanne@hojeemdia.com.br

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